Chega outubro, e as redes sociais das marcas e escritórios se pintam de rosa. Em novembro, o azul toma conta. Ao longo do ano, vemos o amarelo, o laranja, o vermelho e o branco colorindo calendários corporativos. Mas, em meio a laços, posts e camisetas, fica a pergunta: as empresas estão realmente engajadas com a causa ou apenas “colorindo o mês” para surfar na onda sem nenhum propósito?
As campanhas de conscientização sobre saúde são ferramentas poderosas, mas seu impacto real depende de ações que vão além do simbólico. Para uma marca empregadora forte e uma cultura de cuidado genuíno, é preciso transformar a conscientização em ações e experiências reais.
O que as empresas que realmente se engajam fazem de diferente?
A principal diferença está na estratégia. Empresas que se destacam veem essas campanhas como uma oportunidade de fortalecer a cultura de cuidado e não apenas como um item no checklist de comunicação interna. Elas entendem que promover saúde é um investimento no seu maior ativo: as pessoas.
Não à toa, a Pesquisa Global de Atitudes sobre Benefícios, da consultoria WTW (antiga Willis Towers Watson), revelou que 55% dos colaboradores afirmam que os benefícios de saúde e bem-estar são mais importantes do que nunca ao decidir permanecer ou aceitar um emprego.
Abaixo, listamos algumas práticas que transformam boas intenções em resultados e experiências de valor:
Informação com embasamento para direcionar
A primeira camada do engajamento genuíno é o conteúdo relevante. Em vez de apenas repetir o slogan da campanha, a empresa pode se tornar uma fonte confiável de informação.
Palestras e webinars com especialistas: convidar médicos, psicólogos, nutricionistas e outros profissionais para conversar com as equipes traz autoridade e demonstra a preocupação em passar informações de fontes confiáveis.
Conteúdo aprofundado: crie uma série de pílulas de conteúdos educativos para os colaboradores, a partir de fontes oficiais como Ministério da Saúde, é algo simples e que pode ter um grande impacto.
Guias de ação: materiais simples que mostram o passo a passo de como marcar um exame preventivo, onde encontrar apoio psicológico gratuito ou como utilizar os benefícios do plano de saúde para check-ups também são ótimas alternativas.
Acesso facilitado ao cuidado
Esta é a etapa que separa o discurso da prática. Ações que facilitam o acesso à saúde demonstram uma preocupação real e tangível com os colaboradores.
Parcerias estratégicas: para o Outubro Rosa e Novembro Azul, negociar com o plano de saúde ou clínicas parceiras para realizar mutirões de exames de mamografia e PSA são excelentes ações. A empresa pode organizar a logística, o transporte ou até mesmo levar uma unidade móvel ao local de trabalho.
Flexibilidade e incentivo: oferecer um “Day Off Saúde” ou um período de horas flexíveis para que os colaboradores possam realizar seus exames preventivos anuais sem a preocupação de repor o tempo é uma das ações de maior impacto percebido pelas pessoas.
Inclusão em todas as frentes: as campanhas não são exclusivas para um único gênero. No Outubro Rosa, incentivar os homens a apoiarem as mulheres de suas vidas e informar sobre o câncer de mama masculino também é válido. No Novembro Azul, a promoção de conversas que motivem as mulheres a serem agentes de saúde na vida de seus parceiros, pais e amigos, quebrando a resistência masculina em procurar um médico, também pode ajudar.
Cultura de apoio e acolhimento contínuo
O cuidado não pode durar apenas 30 dias. As campanhas são um ótimo gatilho, mas a cultura de saúde e bem-estar deve ser constante, transformando o ambiente de trabalho em um espaço seguro.
Treinamento para as lideranças: a capacitação dos líderes para que saibam como agir ao identificar um colaborador passando por um momento delicado de saúde, especialmente mental, é extremamente importante. O líder não precisa ser um terapeuta, mas deve ser um ponto de apoio e saber direcionar para a ajuda correta (RH, canais de apoio, etc.). Transtornos mentais e comportamentais são a terceira maior causa de afastamentos do trabalho no Brasil, segundo dados do Ministério da Previdência Social.
Criação de grupos de apoio: Formar grupos de afinidade onde os colaboradores possam compartilhar experiências de forma segura para pessoas que enfrentam ou já enfrentaram doenças como o câncer, entre outras.
Revisão de benefícios: as campanhas podem servir como um momento para reavaliar o pacote de benefícios. Ele inclui um bom suporte à saúde mental? Cobre os exames preventivos de forma abrangente? A empresa oferece algum tipo de auxílio para tratamentos mais complexos?
Não existe uma fórmula única, mas o caminho para um engajamento verdadeiro passa pela coerência. Alinhar o discurso com ações práticas é o que fortalece a confiança e mostra aos colaboradores que eles são, de fato, valorizados.
Ir além da cor do mês é um passo fundamental para construir uma marca empregadora sólida e um ambiente onde as pessoas se sentem seguras, cuidadas e, consequentemente, mais conectadas e engajadas.